Alex de Minaur garantiu vaga na terceira rodada do Masters 1000 de Xangai sem precisar entrar em quadra. O australiano enfrentaria o eslovaco Alex Molcan, número 84 do mundo, na segunda rodada, mas o rival se retirou do torneio por lesão, concedendo um walkover valioso ao tenista oceânico justamente no momento em que ele mais precisava de descanso.
O alívio chega três dias depois de De Minaur sofrer um problema físico na final do China Open, em Pequim, diante de Novak Djokovic. O australiano foi obrigado a abandonar a partida logo após perder o primeiro set e chegou a admitir que precisaria passar por exames para avaliar a extensão da lesão. A dúvida sobre sua presença em Xangai era real - e a desistência de Molcan surge como um verdadeiro presente de calendário.
Dias extras de recuperação chegam em boa hora
Com a passagem direta às oitavas de final, De Minaur deve estrear no torneio chinês apenas no domingo, dia 11 de outubro, cinco dias após a decisão perdida para Djokovic. Esse intervalo adicional de 48 horas pode ser decisivo para que o australiano chegue em condições competitivas, algo que parecia improvável horas atrás.
As boas notícias não pararam por aí. Andrey Rublev, que seria o adversário projetado de De Minaur na terceira rodada, foi surpreendido pelo japonês Rei Sakamoto, 137º do ranking mundial, ainda nesta sexta-feira. Assim, o caminho do australiano ficou consideravelmente mais acessível na sequência do torneio.
Retrospecto favorável contra tenistas fora do top 100
Neste ano, De Minaur acumula um retrospecto de 7 vitórias e 2 derrotas diante de adversários fora do top 100 do ranking ATP, cedendo apenas para Patrick Kypson (ATP #103) em Acapulco e para Matteo Arnaldi (ATP #106) em Roma. O australiano não perde para um tenista com ranking inferior ao de Sakamoto desde o Dubai Tennis Championships de 2025, quando foi derrotado em três sets por Marin Cilic, então na 187ª posição.
Avançar às oitavas de final representaria um dos melhores resultados de De Minaur na temporada em torneios Masters 1000. Apesar de ter conquistado um título ATP em 2026, o número 1 da Austrália, de 27 anos, vem decepcionando neste nível de competição, com apenas uma quartas de final alcançada, em Monte Carlo.
- Indian Wells: melhor resultado na quarta rodada (2021, 2022, 2024, 2025); eliminado na terceira em 2026
- Monte Carlo: semifinal em 2025; quartas de final em 2026
- Canadá: finalista em 2023; parou na terceira rodada em 2026
- Xangai: melhor campanha nas quartas de final, em 2025
Caminho difícil pela frente, com Zverev, Shelton e Alcaraz no horizonte
Se superar Sakamoto no domingo, De Minaur deve encontrar o russo Karen Khachanov na quarta rodada. O confronto direto está empatado em 2 a 2, mas foi o australiano quem venceu o duelo mais recente entre os dois, no Masters de Paris de 2025.
A partir das quartas de final, contudo, o panorama se complica. De Minaur poderia cruzar com Alexander Zverev, depois Ben Shelton nas semifinais e, possivelmente, Carlos Alcaraz em uma eventual decisão - um trio de adversários de altíssimo nível que tornaria a conquista do primeiro título de Masters 1000 uma tarefa monumental.
A lembrança de Toronto e o quase em Monte Carlo
A campanha mais histórica de De Minaur em um Masters 1000 remonta a 2023, no Canadá. Na ocasião, ele superou Cameron Norrie, Gabriel Diallo e Taylor Fritz para chegar às quartas, depois surpreendeu Daniil Medvedev, então segundo cabeça de chave, e despachou Alejandro Davidovich Fokina na semifinal. Na decisão, acabou derrotado por Jannik Sinner em sets diretos.
Desde então, o australiano não voltou a disputar uma final de Masters 1000, embora tenha chegado perto em Monte Carlo no ano passado: liderava Lorenzo Musetti por 6-1 na semifinal, mas viu o italiano reagir e vencer em três sets. Resta saber se, desta vez, com o corpo ainda sentindo os efeitos de Pequim, De Minaur conseguirá aproveitar o presente do calendário e ir além diante de Sakamoto, neste domingo, em Xangai.