A temporada 2026/2027 da NBA começa nesta terça-feira (20), mas boa parte do discurso oficial da liga na coletiva virtual global de abertura esteve voltada para fora das quadras americanas. A Máquina do Esporte acompanhou a entrevista de Mark Tatum, vice-comissário e diretor de operações da NBA, que dedicou grande parte do tempo a detalhar os avanços do projeto NBA Europa, iniciativa que pretende levar o modelo de liga da NBA ao continente europeu.
Sinais já na rodada de estreia
O interesse da liga pelo mercado europeu não é apenas discurso. Nesta terça-feira, a rodada de abertura da temporada já inclui uma partida às 15h no horário da Costa Leste dos Estados Unidos, horário pensado para coincidir com o período nobre europeu, cerca de seis horas à frente do fuso norte-americano. É um gesto simbólico, mas também estratégico: a NBA quer acostumar o público do Velho Continente a assistir seus jogos em horários convenientes, preparando terreno para uma presença mais permanente na região.
Fiba como parceira e críticas à Euroliga
Para avançar no projeto, a NBA aposta na parceria com a Federação Internacional de Basquete (Fiba). Segundo Tatum, o modelo pensado para a NBA Europa seria mais simples para os torcedores e mais vantajoso financeiramente para os clubes do que o sistema atual europeu. "Não há dúvida de que o fã europeu ama o basquete, e nós queremos preservar isso. Ainda há, porém, muita confusão para estes fãs. Nós acreditamos que nosso modelo ampliará o entendimento deles e dará aos clubes um caminho muito mais rápido para a lucratividade", afirmou o executivo.
Tatum também questionou a saúde financeira dos clubes da Euroliga, citando relatórios que apontariam dificuldades econômicas na competição. Segundo ele, as franquias da futura NBA Europa já começariam a dar lucro a partir do terceiro ano de existência da liga. "Eu vi o investimento que a Euroliga colocará nos seus times. O que posso dizer é que nossas projeções mostram que os times faturariam o triplo do que será investido pela liga com a NBA Europa. Bilhões de dólares serão distribuídos em 10 anos para que os clubes voltem a ser financeiramente estáveis", disse.
Um calendário mais simples, segundo a NBA
Outro ponto central da fala de Tatum foi a crítica à estrutura atual do basquete europeu, considerada confusa por sobrepor competições como Euroliga, Champions League, Eurocup e ligas domésticas, sem conexão entre elas. "O que os fãs devem ficar animados é para um novo sistema que será fácil de entender. Se pensarmos no atual sistema como um fã, é muito difícil de acompanhar. Você tem a Euroliga, a Champions League, a Eurocup e as ligas domésticas. Todas elas competem umas com as outras e nenhuma é conectada uma com a outra. Isso é muito confuso se você é um fã", declarou o vice-comissário. A expectativa da NBA é lançar oficialmente a nova liga, já com as franquias confirmadas, em outubro de 2027, naquele que seria classificado como o maior investimento da história do basquete europeu.
Euroliga resiste, mas mantém porta aberta
O avanço do projeto não ocorre sem atrito. Há algumas semanas, os donos dos clubes da Euroliga rejeitaram uma proposta de colaboração da NBA, incomodados principalmente com a exigência de que a competição europeia paralisasse seus planos de expansão, que preveem a chegada de quatro novas equipes às 20 já existentes. Ainda assim, Chus Bueno, CEO da Euroliga, disse nesta segunda-feira (19), em entrevista à Reuters, que a liga europeia segue aberta a negociações com a NBA. O dirigente, no entanto, alertou que uma entrada da liga norte-americana no mercado europeu sem acordo prévio com a Euroliga poderia representar um "desastre" para o ecossistema do basquete continental.